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Saúde a Fundo
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Tudo o que você precisa saber sobre a Febre Amarela

     A febre amarela é uma doença infecciosa aguda, não contagiosa (não há transmissão de pessoa para pessoa, embora possa ocorrer transmissão da mãe para o filho, quando gestante), cuja manifestação principal é a febre. É causada por um vírus, sendo considerada no meio científico como uma flavovirose. É transmitida por insetos urbanos (Aedes aegypti – o mesmo que transmite Zika, Dengue e Chikungunya) e silvestres (Haemagogus sp e Sabethes SP).  A forma urbana da doença não é identificada desde 1942, sendo atualmente a forma silvestre o grande problema.

     Nessa forma silvestre os “macacos”, embora não transmitam a doença (e não devam ser combatidos/mortos), são hospedeiros e locais de multiplicação desses vírus. Os mosquitos citados, ao picarem macacos que estejam contaminados, se contaminam com o vírus. Posteriormente, podem transmitir esses micro-organismos a seres humanos que estejam nessas regiões.

     Após a picada do inseto, o homem não imunizado começará a manifestar sintomas dentro de 3 a 6 dias (algumas pessoas levam até 15 dias). Porém, dois dias antes de ter sintomas, já haverá vírus em sua corrente sanguínea. Com isso, um mosquito, picando-o, pode se contaminar com o vírus e transmiti-lo a outras pessoas. O inseto contaminado (lembrando que apenas as fêmeas picam) pode continuar transmitindo o vírus por até 2 meses.

     A porcentagem de mortes (letalidade) da doença gira em torno de 5 a 10% dos que manifestam algum sintoma. Porém cerca de 10% desses doentes evoluem para a forma grave e, considerando apenas esta última forma, a letalidade vai de 20 a 50% (e a morte costuma ocorrer entre o 7º e o 10º dia da doença). Entretanto, como a maioria dos casos não é grave, ocorre uma resolução (“cura”) espontânea da doença em 2 a 3 dias após o início dos sintomas.

Sintomas e formas da febre amarela

Forma leve: Febre alta (sendo que a frequência cardíaca não costuma aumentar nesses doentes, ao contrário da maioria das outras doenças febris), dor de cabeça (principalmente acima dos olhos), dores musculares e lombares, calafrios, náuseas, “tontura”.

Forma moderada: além dos sintomas acima, já ocorre icterícia (amarelamento da pele e dos olhos), urina escura, alterações na função hepática (visto nos exames de sangue), hemorragias leves (como sangramento pelas gengivas e nariz).

Forma grave: O vírus invade diversos órgãos do corpo, como fígado, baço, rins e coração. É caracterizada quando a febre alta reaparece após uma melhora inicial. Ocorre dor abdominal, pressão muito baixa, pouca produção de urina, hepatite, com lesão às células do fígado, gerando grandes alterações em exames de sangue (TGO/AST), hemorragias sistêmicas (com a pessoa vomitando ou evacuando sangue escuro), coagulação disseminada nos vasos sanguíneos e outras alterações desse processo de coagulação. Posteriormente pode ocorrer coma e óbito.

Diagnóstico laboratorial

– No hemograma: Leucócitos (principalmente neutrófilos) reduzidos.

– VHS (que é um marcador inespecífico de inflamação, feito em coleta de sangue) próximo de zero.

– Na febre amarela grave: Aminotransferases (TGO/AST e TGP/ALT) acima de 1000 – o normal é pouco mais de 30; Diminuição de plaquetas, aumento do tempo de protrombina e queda do fibrinogênio do sangue (alterações de coagulação); bilirrubina total entre 2 e 10 mg/dL (aumentada, gerando icterícia); creatinina pode estar bem elevada (acima de 7 mg/dl).

– O diagnóstico específico pode ser feito encontrando IgM MAC (pelo método Elisa),  a partir do 4º ou 6º dia após início dos sintomas ou ainda por isolamento viral e técnicas PCR, que já diagnosticam a partir do 1º dia da doença.

Tratamento

     Não há tratamento específico. É apenas dado um suporte clínico ao doente, controlando os principais sintomas.

– Forma leve: hidratação (preferencialmente oral); analgésicos, como o Paracetamol (e não usar AAS ou outros antiinflamatórios, por aumentarem risco de hemorragias); banhos frios, se febre.

– Forma moderada: hidratação (oral ou venosa); analgésicos, como o Paracetamol (e não usar AAS ou outros antiinflamatórios); banhos frios, se febre; realizar exames laboratoriais para avaliar função do rim, fígado, entre outros parâmetros.

– Forma grave: internação em CTI, com cuidados específicos, contínuos e rígidos, de acordo com o quadro clínico.

Profilaxia/Prevenção

     A prevenção da doença é feita com uso de roupas fechadas, de repelentes (que devem ser usados inclusive por CIMA das roupas, em spray), de telas em janelas e de vacinação, quando indicada.

Vacinação (“anti-amarílica”)

– Tradicionalmente seguia-se a “regra dos 10”: aplica 10 dias antes (da viagem para área de risco ou de recomendação de vacina) e adquire proteção por 10 anos. Atualmente sabe-se que estão imunizadas definitivamente todas as pessoas que receberam uma única dose da vacina (não importando há quanto tempo), desde que tenha sido aplicada quando a pessoa tinha pelo menos nove meses de idade. A única exceção envolve aquelas pessoas que, em épocas de surtos, receberam dose fracionada da vacina (às vezes isso é feito em pessoas maiores de 2 anos de idade). Essas precisam de uma dose de reforço após 8 anos.

– Pode haver reação grave em pessoas alérgicas a ovo, gelatina e eritromicina. Por isso não deve ser aplicada nesses casos.

– A vacina contra febre amarela já faz parte do calendário infantil, sendo dada aos 9 meses de idade (ou aos 6 meses, em alguns casos de maior risco) e reforço aos 4 anos.

– Gestantes e lactantes (mulheres que amamentam crianças com até 6 meses de idade) não devem receber a vacina (a menos que o médico avalie que os riscos são menores que os benefícios).

Contra-indicações da vacina

     Algumas pessoas tem contraindicação de tomar a vacina, pois possuem maior chance de desenvolver efeitos graves. Embora sejam raros, podem ocorrer: encefalite (inflamação no sistema nervoso); anafilaxia (alergia grave); “febre amarela vacinal” (doença causada devido à vacina, sendo esta forma mais grave e causando morte em até metade dos casos).

Não devem ser vacinados:

– Idosos (60 anos de idade ou mais) com doenças graves ou com saúde debilitada. Os idosos saudáveis devem ser avaliados por um médico, que pesará riscos e benefícios, liberando ou não a vacinação.

– Gestantes não devem ser vacinadas, a menos que estejam sob risco altíssimo. E mesmo nesses casos cabe ao médico avaliar risco/benefício de realizar a vacinação. Isso porque a vacina pode gerar infecção no feto.

– Mães que amamentam seus filhos com menos de 6 meses de idade não devem ser vacinadas. Caso o risco seja muito grande, o médico liberará a vacina, porém a amamentação deverá ser suspensa por 28 dias (alguns autores dizem 14 dias). Vale dizer que, sendo isso feito, é bem provável que o leite da mãe “secará”. Consequentemente, cessará o aleitamento materno, submetendo a criança a inúmeros prejuízos nutricionais e imunológicos.

– Pacientes HIV positivos (salvo em casos específicos, avaliados pelo médico); em uso de altas doses de corticoides; em tratamento com quimioterapia; doenças reumatológicas ou dermatológicas em uso de imunossupressores; doenças no timo ou retirada do mesmo (órgão que fica dentro do tórax).

Observação: doação de sangue pode ser realizada após 1 mês da data da vacina.

Autores: Dr. Wésley de Sousa Câmara 
Sandra Ferreira do Couto Alves – Enfermeira consultora do site
Abril de 2018

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