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Menopausa – uma nova fase de vida

     A menopausa representa o fim do período reprodutivo da mulher. Mas o que seria isso?

Fase reprodutiva

     O período reprodutivo da mulher é caracterizado pela presença de ciclos sexuais ou ciclos menstruais (que duram, em média, 28 a 30 dias). Em cada ciclo ocorrem alterações na velocidade da secreção de hormônios femininos e mudanças nos ovários e nos órgãos sexuais. Essas alterações ovarianas durante o ciclo sexual dependem totalmente de hormônios da hipófise (glândula localizada no encéfalo), o FSH e o LH. Além disso, os ovários, quando não são estimulados por esses hormônios, permanecem totalmente inativos, como ocorre durante a infância, período no qual praticamente nada desses hormônios é secretado. Todavia, entre nove e dez anos de idade, a hipófise começa a secretar progressivamente mais FSH e LH, culminando no início dos ciclos sexuais mensais (entre onze e dezesseis anos de idade). Isso representa um período de mudança, denominado puberdade. Já o primeiro ciclo menstrual é chamado de menarca.

Aprofundando um pouco mais…

     Durante cada mês do ciclo, ocorrem aumento e redução cíclicos do FSH e do LH. Ambos os hormônios estimulam os ovários, que irão desenvolver suas células sexuais (os ovócitos secundários). Esses ovócitos passam a produzir maiores quantidades de dois outros hormônios: o estrogênio e a progesterona. Por volta do 14º dia do ciclo, ocorre a liberação de uma dessas células sexuais (ovulação), e corresponde ao período fértil da mulher. Esses hormônios, caso não haja gravidez, diminuem e após outros 14 dias (em média), a parede interna do útero descama, rompendo vasos sanguíneos, no fenômeno chamado “menstruação”.

O climatério

     Esses ciclos se repetem mensalmente até que, entre 40 e 50 anos de idade, inicia-se o climatério, que é o período de transição entre a fase reprodutiva e não reprodutiva da mulher. Os ciclos sexuais geralmente tornam-se irregulares e a ovulação deixa de ocorrer durante muitos desses ciclos. Mas qual a causa? A grosso modo, é a redução no número de “células sexuais” da mulher. Como vimos, essas células produzem estrogênio e progesterona, portanto, também haverá redução nos níveis desses hormônios. Essa mudança pode provocar inúmeros sintomas desagradáveis (irritação, dores, ondas de calor, ressecamento vaginal, diminuição do desejo sexual, entre outros). Além disso, a partir desse período, aumentam as chances de aparecimento de algumas enfermidades, como osteoporose, doenças cardiovasculares e glaucoma.

Leia também: Andropausa, a “menopausa” do homem

A menopausa

     A menopausa caracteriza-se pelo fim da menstruação na mulher. Como há fases de ciclos menstruais irregulares antes da menopausa, a mesma caracteriza-se por um período superior a doze meses consecutivos de ausência de menstruação. Assim, a menopausa determina o fim da capacidade reprodutiva da mulher. Isso porque as células sexuais são tão raras que não são mais liberadas, o que torna quase impossível a fecundação e a gravidez.

     Vale destacar que, muitos sintomas podem se agravar, pois é um período que a mulher enfrenta conflitos psicológicos. O casamento dos filhos (solidão), a maior chance de perder o marido (viuvez), o descontentamento com o próprio corpo (envelhecimento) são alguns problemas que podem somar ao descontrole hormonal e levar a mulher, em alguns casos, à depressão. Assim, muitas necessitam de um apoio psicológico, além de um tratamento de reposição hormonal.

     É importante entender que o climatério e a menopausa não são doenças e sim, um período da vida de todas as mulheres. O que pode acontecer é um retardo ou uma antecipação dessas fases. Quanto mais tardia for a menarca (primeira menstruação) ou mais longos forem os ciclos menstruais, mais tarde tende a iniciar o climatério. Outro fator que retarda o início desse período é o uso regular da pílula anticoncepcional. Afinal, esses acontecimentos ou medidas preservam as “células sexuais” ovarianas. Por outro lado, o fumo, infecções recorrentes e quimioterapias podem provocar o início precoce do climatério e da menopausa. E claro, a história familiar de menopausa precoce ou tardia, também podem ter influência.

Autor: Dr Wésley de Sousa Câmara

Referências:
FURTADO, A. M. – Um corpo que pede sentido: um estudo psicanalítico sobre mulheres na menopausa.
GUYTON, ARTHUR C, M.D. – Tratado de fisiologia médica; 9ª Ed.
MOORE, KEITH L. – Embriologia clínica, 8ª Ed.
MORI, M. E. & COELHO, V.L.D. – A vida ouvida: a escuta psicológica e a saúde da mulher na meia-idade.
SERRÃO, C. – (Re) pensar o climatério feminino.
http://www.projetodiretrizes.org.br/6_volume/22-Falenciaovar.pdf
http://www.tesesims.uerj.br/lildbi/docsonline/pdf/mendes_paula.pdf
http://www.unifesp.br/dmorfo/histologia/ensino/ovario/histologia.htm
http://www.vejam.com.br/noticias2/2007/2204.php#titulo

Manual prático para profissionais de saúde do município de São Paulo – o climatério em suas mãos.

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